Mudanças
À conversa com a Sílvia e surgiu este tema: no que é que, em termos de feitio, a maternidade nos mudou. Não falo na questão do amor incondicional, mas numa vertente mais prática, em termos da nossa maneira de ser e de estar.
Assim de repente, no meu caso:
- tornei-me infinitamente mais paciente. Ainda falta muito para ser paciente, mas tenho muito pouco a ver com o que era;
- tracei as prioridades de uma forma muito vincada. Aprendi a dizer não a muita coisa e a perceber que não morria por não aceitar tudo o que me era proposto;
- tornei-me mais pragmática: entro em stress ou em ansiedade, em certos momentos, mas não páro para chorar a um canto, faço, ando para a frente. Já era assim, tornei-me mais;
- tornei-me mais exigente para com pessoas mais próximas, em determinados aspectos. Para receber temos de dar e fico muito triste quando me apercebo que as pessoas são unidireccionadas, quando querem apenas receber. Isto foi uma parte má, porque me decepciono mais e exagero um pouco nisso;
- estou-me um bocado nas tintas para a maioria das opiniões alheias: desde que cá em casa estejamos de acordo (e muitas coisas são amplamente conversadas), o resto passa-me um bocado ao lado (isto no que respeita a assuntos dos miúdos), sobretudo quando percebo latente uma intenção de apenas criticar por criticar;
- tornei-me, por outro lado, mais tolerante, até comigo: quem tem 100% de certezas na vida está com toda a probabilidade a ver as coisas apenas a 2 dimensões...
E vocês?






26 comments:
eh eh eh...isto exige tempo. vou esperar pelas sestas
Ui... tanta coisa, acho que mais em questões práticas... e aprendi tannta coisa que não sabia!
bjs
bem... identifico-me mt c grande parte do que referiste. A parte da calma é mm o que mais me surpreendeu pois quem me conhece há anos sabe como a paciência nunca foi uma grande virtude minha. Não é q eu fosse mt irascível, mas era mt do género de estar a pensar as coisas e em poucos segundos já ter de as estar a fazer. Mts vezes ouvi chamar-me stressada...LOL. Elas trouxeram-me a capacidade de deixar o meu espírito estar em paz, sem estar constantemente a pensar em fazer alguma coisa. Em suma, aproveitar as pausas que me proporcionam no decurso de um dia a dia já de si agitado. Em contrapartida tornaram-me numa pessoa mais distante. Falo em termos de sociedade. Tal como tu deixei de ligar tanto ao que os outros pensam. Deixei de me iludir com a bondade alheia. Percebi que neste mundo há mesmo gente má, invejosa. Perdi a inocência que acho q me caracterizou até há pouco tempo. Sinto em mim quase que uma responsabilidade de proteger as minhas filhas acima de tudo. essa situação reporta-se ao realinhar das minhas prioridades. Coloquei em stand by a minha carreira profissional. Deixei, por amor, de fazer algo que até gostava muito. Postas as coisas na balança não me arrependo. A vida profissional está aí á minha espera. Conheço as capacidades que tenho e não duvido que consiga algo. Já os primeiros anos de vida das minhas filhas não os recupero. por isso, por o jogo ter tido na sua génese o peso dessa «pausa», dou tudo de mim nesta tarefa. E se há coisa em que sinto confiança nas minhas competências é na minha postura como mãe. Tenho imensas dúvidas e inseguranças em mim sobre outros aspectos da vida. Esta é das tarefas em que poucas vezes vacilo. Não é presunção minha... para mim esta tarefa não me confere a hipotese de falhar. Não digo que não o faça, mas no meu espirito nunca é essa a ideia que assumo ao acordar.
credo isto ficou grande...lol
:) Mudou-me muito também! Igual em muitas coisas, principalmente na tolerância e calma. Considero-me uma mãe descontraída q.b.!
Bjos
Comigo a experiência foi semelhante. Eu também era muito assim, de fazer as coisas na hora. Com o nascimento deles acalmei muito. Sempre fui paciente, do género de gostar de estar na minha calma, a fazer coisas sozinha. Agora adoro fazer de tudo com eles e não consigo ir a lado nenhum sem levar pelo menos um atrás de mim,lol.
Nunca liguei muito aos que os outros diziam e agora ainda menos. Considero-me uma mãe descontraída mas galinha q.b.
Bem, isto dava pano para mangas...só se fizer um post como a Sílvia.
Beijinhos grandes.
Acho que disseste tudo!
Realmente, temos muito mais paciência!
E encaramos as coisas de forma diferente!
E há tanta coisa a que damos mais valor!
Bjs
como a Sílvia disse, perdi a inocência. Redefini prioridades. Sou uma pessoa mais feliz e menos ansiosa. Mas tb me sinto mais presa.
beijinho
ah... passei a relativizar mto mais. Até me tornei mais tolerante. Não faço fretes e deixei de ter paci~encia para perdas de tempo.
Sem dúvida que a maternidade muda tanta coisa!... mas compensa :)
tenho a impressao k dantes era mais calma do k agora...mas n sei s isso tera a ver exclusivamente c a maternidade...
bjs*
Ser mãe mais velha do que vocês faz-me ver que eu já não tinha ilusões: a maternidade não é um sonho cor-de-rosa e é preciso estarmos prontas para de tudo um pouco. Aprendi muitas coisas sobre crianças (não sabia grande coisa, nunca tive grande contacto com crianças pequenas). Aprendi que estarei sempre para ela mas que não me anulo. Aprendi que não é uma criança que me faz definir nem o ser mãe, são apenas mais lados da mesma moeda. Ajudou-me um pouco na relação difícil com a minha mãe. Mais paciente? Talvez, com certas coisas. Sem paciência para outras. Bjs!
falo por mim mj: não é de facto um sonho cor de rosa...costumo comparar a aventura da maternidade ao parto... tem tanto de doloroso quanto de belo, mas feitas as contas é a aventura mais bonita em que embarcamos.
MJ, eu nunca tive a ilusão da maternidade cor-de-rosa. Muito pelo contrário, durante anos nem queria ser mãe porque achava q não conseguiria. Tive-os no momento em que me senti preparada, mas eles revolucionaram a minha rotina, os meus hábitos e foi nisso que notei que mudei muito... A maternidade é, aliás, muito mais cor-de-rosa do que a imaginava ;)
Fui só eu que ganhei em inocência? Que passei a ver as pessoas com melhores olhos e a reparar em joaninhas e folhinhas e reflexos de luz nas folhas das árvores?
De resto, estou mais tolerante com o ser humano, mas também mais impaciente, deixei de ter tempo para perder com parvoíces. Estou muitíssimo mais pragmática, especialmente no plano profissional.
Não vejo a maternidade nada cor de rosa. Há vezes em que não me apetece nada ser mãe. Mas eles são um desafio, uma ternura e também conseguem ser muito divertidos.
mar...vejo a inocência nas crianças...e junto delas sim, experimento isso q dizes... Fora isso, vejo o mundo à volta como um lugar onde a inocência não existe, onde só há lugar a competição, inveja e desumanidade. Mas tb posso estar numa fase mais «cinzenta»...LOL
A maternidade trouxe-me uma coisa que eu não imaginei: capacidade de me aproximar de pessoas que não têm nada a ver comigo. Acho que há traços básicos nos pais e mães, coisas que todos eles percebem, ainda que discordem em quase tudo o resto. E isso é bonito.
Não vejo o mundo mais cinzento por ser mãe. Pelo contrário. Está cheio de gente que só quer viver em paz, educar os filhos, vê-los crescer. São uma imensa maioria.
mar: tens razão, tb existem pessoas assim. Mas como eu era antes... UIII!!! O mundo era muito rosa. Daí que para mim essa mudança q se deu em mim faça toda a diferença pois qualquer grau que se reduza a esses tons rosa esta carregado de uma experiência negativa.
´Mar, a Sílvia era mesmo de uma inocência impressionante. Lembro-me de lhe dizer isto dezenas de vezes, porque era uma inocência quase pueril. Acho que agora a fase é um bocado de desencatamento, mas daqui a uns tempos chegar ao meio termo... :)
ai tania...LOL...o que já me ri...quase que me apeteceu receber miminhos...fiz beicinho e tudo...LOL
Esta aí um tema de reflexao:) Nalgumas se não em todas as coisa estou de acordo contigo. Vou pensar no assunto passar para o papel e umd ia destes publico
Beijinhos grandes e boa terça
rrrrrrrr....tinha escrito e esta treta foi ao ar....mas foi mais ou menos isto....prioridades passaram a ser outras. Nas amizades continuo muito exigente. Não é só receber. Continuo mto desconfiada e não abro o livro com muita facilidade. Sempre fui assim. Amigos poucos mas bons. Longe da perfeição mas com a familia feliz! Bejinhos linda
Já tá:)
Já aqui vim várias vezes a este post, penso em escrever e depois acabo por não o fazer. Tenho alguma dificuldade em apontar as alterações em mim. Acho que fiquei mais tranquila, mas não acho que esteja mais paciente, pelo contrario. Já não tenho paciência para muita coisa... Globalmente, acho sempre que me tornei uma pessoa melhor, mais madura. A coisa mais interessante é que alterei o rumo da minha investigação e do meu trabalho com o nascimento da R. E descobri coisas em mim que não conhecia! bjs
Estou a ver que somos parecidas!! Até mesmo nas mudanças da maternidade!
Paciente é sem duvida a minha maior mudança!!
Este assunto daria para estar aqui horas a trocar impressões.
É um facto que tento tornar-me mais paciente, mas ás vezes duvido que o tenha conseguido, é que perco tantas vezes a paciência que acho nunca serei uma mãe calma, compreensiva.
A maternidade tem tanto de maravilhoso como de, como escrever, menos bonito talvez. Lógico que as coisas são vistas de outra prisma, onde o nosso filho está sempre em primeiro lugar e só depois nós, as relações mudam, não sei as minhas mudaram para melhor, acho que não, porque senti na pele alguma falta de ajuda quando mais precisei e isso marcou-me, muito.
Eu sou assim mesmo estranha!
Um beijo
Querida Tânia,
Gostei especialmente deste teu post.(Admiro-te porque encontras sempre tempop ara escrever no blog, coisa que eu não consigo por muita pena minha). De vez em quando espreito-te, mesmo sem comentar, é bom saber das vossas aventuras. Parabéns quanto à mudança e emprego. Acho que fizeste muito muito bem. Força. Beijoka, titta
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